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Marcos Alexandre Ferreira Seguir
Acervo de Pirapetinga Documentos, fotos e fatos de Pirapetinga, cada um com a sua fonte. Ficção não entra; ilustração vem dita como ilustração.

100 anos da Banda 27 de Março

E por falar em Banda...

Ilustração: uma banda de farda bege tocando num coreto de praça, com a percussão ao fundo, os metais no meio, os sopros de madeira na frente e o maestro de costas regendo
Ilustração do site: a banda no coreto, organizada por naipes, como o texto explica.

Tem banda para todos os lados: banda de lá, banda de cá, banda larga, banda de metais, de congo, carnaval, rock, jazz, bandão e muitas outras.

Vamos imaginar a época das guerras sem tanques nem aviões, onde os soldados andavam a pé ou a cavalo; o cansaço, a dor, a saudade e a fome não podiam entrar no campo de batalha. Nesse momento entrava em cena a Banda, para incentivar, lembrar a pátria, trazendo coragem e energia. Da mesma maneira que, hoje, um time de esporte é incentivado pelos gritos e cantos da torcida.

A história das bandas no Brasil vem desde a colonização, quando mestres europeus dirigiam os escravos que tocavam nas fazendas do interior. A chegada de D. João, em 1808, trouxe grandes mudanças, pois decretou que cada regimento possuísse uma banda. Sua função era executar sons marciais para deslocamento das tropas. Como os instrumentistas de sopro eram raros, músicos civis eram contratados pelas corporações, provocando assim o surgimento das bandas de coreto, responsáveis na época, por divulgar a música popular. O povo adorava, pois nos domingos todos se encontravam nas praças para ouvir música instrumental.

A Banda de Cavalaria tocava para as tropas nos campos de batalha. A Banda Marcial (marcial se refere a Marte, deus da guerra) é formada somente por instrumentos de metal e de percussão. Apresentam-se ao ar-livre, fazem movimentos e gestos enquanto tocam num ritmo forte. Já a Banda Sinfônica é uma orquestra que, além de instrumentos de sopro e percussão, tem em sua formação o contrabaixo e o piano. Já a Banda de Concerto é uma orquestra de instrumentos de sopro e percussão.

Como se organiza a Banda?

Quando olhar para o palco você vai observar que não há instrumentos de corda, como o violino e violoncelo; só de sopro e percussão. São organizados por naipes no palco, às vezes por ordem de tamanho e de volume de som (imaginem se a flauta ficasse atrás da tuba!). Os instrumentos de percussão ficam ao fundo.

Instrumentos de sopro, corda e percussão

Quais são os instrumentos de corda que você conhece? Vamos dar alguns exemplos: cavaquinho, violão, guitarra, violino, viola, contrabaixo, violoncelo. E o berimbau? Tem uma corda também, não é? Só que você bate ou percute nela com uma vareta e uma moeda. Em alguns instrumentos de corda você usa um arco, que é um pedaço de madeira com crina de cavalo esticada. Será que você leu certo? Crina de cavalo? Mas é isso mesmo: os fios do cabelo ou do rabo do cavalo são estendidos no arco para tocar.

O contrabaixo também pode ser tocado com os dedos.

Os instrumentos de sopro

São a flauta, o saxofone, a clarineta, o trompete, o trombone, a tuba, o apito e também o assobio! Você sabe assobiar? Com quantos dedos? Só com os lábios? Com a mão toda? Então, já toca um instrumento de sopro! Talvez você conheça muito a flauta doce, mas na banda 27 de Março eles usam a flauta transversa. E por aí vai. As famílias dos instrumentos são enormes. Os sopros podem ser classificados em metais e madeiras. Os instrumentos de madeira são flautas, oboés, clarinetas, fagotes e saxofones. Antigamente, a maioria deles era realmente de madeira, mas agora somente os oboés são feitos de madeira. A tuba tem uma boca tão grande que foi citada na música dos compositores Braguinha e Alberto Ribeiro:

Nota do acervo: aqui a revista cita um trecho da letra de "Tem Gato na Tuba", marchinha de Braguinha e Alberto Ribeiro (biografia de Braguinha no Letras), que Nuno Roland foi o primeiro a gravar (Itatiaia). A letra é obra dos compositores e não é reproduzida aqui. Ouça a música.

Os instrumentos de percussão

São aqueles em que batemos (tambor, surdo, tímpano, tamborim, triângulo, coquinho, prato, xilofone), os que sacudimos (chocalho, ganzá, maraca, caxixi), os que raspamos (reco-reco e afoxé), entre muitos outros, como tampas de panelas, garrafas de plástico com grãos de arroz, latinhas com grãos de feijão ou de pipoca, canos de PVC tocados com chinelos. E por aí vai. Na banda há um grande destaque para o naipe de percussão com teclados (glokenspiei, xilofone, vibrafone e marimba).

As famílias dos instrumentos são enormes. Cada cultura, sociedade ou grupo os explora, privilegia e classifica de um jeito diferente.

O Maestro

Músicos de camisa vermelha tocando sentados com partituras, numa praça, com o maestro à frente
Foto publicada na revista, p. 5.

Em sua origem, a palavra maestro significa “o que é mais que os outros”. O que manda, dirige, ordena, guia e conduz. Para isso, é preciso conhecer bastante os instrumentos e ter estudado muito. Na hora da apresentação e dos ensaios, o maestro, ou regente, faz movimentos com os braços, indicando o andamento da música (ou seja, como que ela vai andar: rápido, devagar), qual o instrumento que deve soar mais forte ou mais suave.

O maestro também faz movimentos com o rosto, com as mãos e com o corpo. Ele usa a linguagem gestual, já que não pode falar para não atrapalhar o som. Os grupos pequenos não precisam de regente, mas sempre um músico se encarrega de “dar as entradas” para os outros. Na bateria de escola de samba existe o mestre, que usa um apito para indicar e se comunicar com os instrumentistas.

A roupa

A banda uniformizada, de farda clara e quepe, em formação num gramado
Foto publicada na revista, p. 5.

A roupa que os músicos da banda usam é o uniforme, ficam todos sempre iguais. Sabe por quê? Para não chamar atenção da plateia, para que você possa ouvir a música sem ficar pensando nos estampados ou nas cores. A música deve ser a personagem principal.

A estante de música

Por que eles tocam olhando a partitura?

Na frente dos músicos ficam as estantes. Normalmente as músicas são muito longas, cheias de detalhes, e fica difícil decorar todas elas. Quando a banda toca andando na rua, eles colocam a partitura na boca do instrumento com pregador de roupa! A voz de cada instrumento é registrada na "grade de orquestra", em seu próprio pentagrama. Pentagrama são as 5 linhas onde a música é escrita como se fosse um código. Penta quer dizer 5 (Brasil é pentacampeão!) e um dos significados de grama é lista, O conjunto de pentagramas forma a grade.

Fonte

Texto adaptado da revista da apresentação do Projeto Sala de Música 2009/ Banda do Colégio Salesiano Santa Rosa (Secretária de Cultura, Sala Cecília Meireles e BNDES - Rio de Janeiro - RJ)

Publicado na revista "100 anos — Vida e História da '27 de Março'", p. 4 e 5. Edição especial do Projeto "Nas Trilhas da Música", do CENAP (Centro Educacional Norma Amélia Pires), em parceria com a INPA (Indústria de Embalagens Santana). Pirapetinga, MG, dezembro de 2009. Pesquisa e redação: alunos do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental, alunos do Ensino Médio e professores do CENAP. Revisão, redação final e edição: José Mauro Pires Silveira e Kátia Aparecida Corrêa da Silva.

Transcrição sem alteração de nenhuma palavra. Cedida por José Mauro Pires Silveira. Digitalização, transcrição e curadoria: Marcos Alexandre Ferreira.

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