100 anos da Banda 27 de Março
Sociedade Musical 27 de Março: Uma História Centenária

É sempre difícil escrever sobre a história de alguma coisa, principalmente quando se trata de uma entidade que admiramos muito e que temos afinidades. Pode acontecer, então, que a emoção ultrapasse a razão, fazendo-nos enxergar somente os aspectos positivos.
Mas, em face das pesquisas que realizamos sobre a Sociedade Musical 27 de Março é fato duplamente que ao se completar cem anos de existência, desenvolveu-se como uma referência para a música de Pirapetinga e materializou-se como cultura viva da sociedade.
Por certo, vale dizer que os estudos históricos da Sociedade Musical 27 de Março são inesgotáveis. Quanto mais pesquisamos sobre ela, mais clamamos por novidades, curiosidades e informações que apesar de permanecerem sem registros, estão na memória daqueles que acompanharam sua trajetória.
Sabe-se que a Sociedade Musical 27 de Março surgiu em 1910, com o nome de Grupo Musical 27 de Março sob a liderança de Norberto Alves de Souza, mais conhecido como Tenente Norberto, que contou com a participação de Vicente de Paula Rodrigues, no seu ofi-clides, Bertoldo Pacheco, nos pratos, Francisco Paulino dos Santos, Herculano Martins Ferreira e ainda outros. (PACHECO, p. 75)
Portanto, vale ressaltar que em 1912, através de um desentendimento com o grupo, o Tenente Norberto aliou-se a José Mendes da Silva Resende para fundar uma nova banda que se chamou Sociedade Musical 2 de Fevereiro, que fez parte da vida dos pirapetinguenses até 1942, quando se apresentou pela última vez.
Dissolvida em 1918, a Sociedade Musical 27 de Março logo depois, ressurgiu com Francisco Paulino dos Santos, que acabou assumindo a entidade sem diretoria até o ano de 1932. Também, neste ano, Carlos Gomes e Francisco Manoel dos Santos, tornaram-se os novos diretores, a fim de prestarem relevantes serviços à essa fonte de alegria da cidade.

Parece-nos que uma grande conquista para a Sociedade Musical 27 de Março foi ter sua própria sede construída sob direção de Francisco Bifano e Antônio Jubileu, com donativos do povo. A sede erguida em 1934, no terreno cedido por Joaquim Breves e Bertoldo Pacheco, na atual Rua Tenente Norberto, n° 105, representa até aos nossos dias o templo da música, local dos ensaios, de aprendizagem musical, enfim, um importante patrimônio que ultrapassou barreiras e se enraizou nas lembranças de muitas famílias pirapetinguenses.
O prestígio e a força que revela a Sociedade Musical 27 de Março no seu centenário, não pode ser aqui quantificado, uma vez que não somos capazes de dimensionar a sua contribuição para a nossa música e para a nossa história, pois estudando seus livros de atas e suas fotografias antigas e novas, nos defrontamos com uma imensa riqueza cultural que nos permite compreender que sua representação enquanto entidade é infinita, produzindo-se uma dinâmica cultural própria, com efeitos únicos.

Por isso que não é por acaso que nesses cem anos de existência, a Sociedade Musical 27 de Março, movida por um sentimento de amor a música, vem conseguindo superar as suas dificuldades financeiras e administrativas, porque se dependesse só e exclusivamente do poder público e de todos os munícipes, talvez não alcançasse tal idade. Porém, cabe-nos ressaltar que a sua sobrevivência ao longo do tempo, se deve principalmente aos seus presidentes, diretores, maestros, músicos, sócios contribuintes, admiradores e, recentemente, ao Centro Cultural de Pirapetinga, que foram capazes de unirem-se a uma lógica de compreensão do seu papel para os pirapetinguenses.
Outro importante momento na história da Sociedade Musical 27 de Março foi em 25 de julho de 1992, quando ocorreu a reinauguração de sua sede, após ser totalmente reformada pela administração do prefeito Caio Borges Chaves, conservando-se a sua arquitetura original. Na ocasião, além dos pronunciamentos oficiais, o seu Presidente Dr. Jonas Masieiro, manifestou sua gratidão pela tão relevante e sonhada reforma do prédio, que em ruínas, se transformou num novo templo da cultura. (PIRAPETINGUENSE, p. 3)

É bem verdade, que muitas datas marcantes estão inseridas em sua história centenária, nem sendo possível listá-las.
Mas, há de lembrarmos sempre das retretas no coreto, na Praça Sant'Anna; tocatas nos eventos festivos, nas inaugurações públicas, nos desfiles cívicos e comemorativos, até mesmo em funerais; os Encontros de Bandas então, quanta altivez! Felizmente, são inesquecíveis suas apresentações, porque elas não se restringem apenas a uma imagem emblemática, de caráter social, vão além daquilo que é filtrado pela nossa sensibilidade.

Assim, a centenária Sociedade Musical 27 de Março, consolida-se literalmente como a mais fecunda entidade musical de Pirapetinga, fazendo ecoar por meio dos seus instrumentos e músicos, sons que penetram na alma da gente.

Prof. José Mauro Pires Silveira
Referência Bibliográfica
- PACHECO, Paulo de Souza. Rio do Peixe Branco (História de Pirapetinga) Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 1986, p. 75.
- Jornal Pirapetinguense. Agosto de 1992, p. 3.
- Livro de Ata da Sociedade Musical 27 de Março. Volume 2, 3 e 4.
Fonte
Publicado na revista "100 anos — Vida e História da '27 de Março'", p. 12 e 13, com texto assinado pelo Prof. José Mauro Pires Silveira. Edição especial do Projeto "Nas Trilhas da Música", do CENAP (Centro Educacional Norma Amélia Pires), em parceria com a INPA (Indústria de Embalagens Santana). Pirapetinga, MG, dezembro de 2009. Pesquisa e redação: alunos do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental, alunos do Ensino Médio e professores do CENAP. Revisão, redação final e edição: José Mauro Pires Silveira e Kátia Aparecida Corrêa da Silva.
Transcrição sem alteração de nenhuma palavra. Cedida por José Mauro Pires Silveira. Digitalização, transcrição e curadoria: Marcos Alexandre Ferreira.